Guia para Imprensa

Falando sobre deficiência

Guia para Imprensa

Segundo o Censo 2010, existem 45,6 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, ou 24% da população.

No mundo, há 1 bilhão de pessoas com deficiência, 1 em cada 7 pessoas, a maior das minorias, de acordo com o relatório da OMS de 2010.

Cerca de 80% das pessoas com deficiência estão nos países em desenvolvimento. (Veja Dados)

O Brasil é líder em inclusão escolar na América Latina e no mundo. O país passou de um percentual de 13% de matrículas na educação básica, em 1998, para 79% em 2014. Se considerada somente a rede de educação básica pública, o percentual chega a 93%. No ensino superior, de 2004 a 2014 as matrículas de universitários com deficiência aumentaram 518,66%. Também somos referência mundial na inclusão laboral devido à lei de cotas.

 

Graças a um movimento social combativo, nossa legislação é progressista e robusta, mas falta divulgação e fiscalização para que seja cumprida.

A importância da Mídia no controle social e na construção da imagem

As pessoas com deficiência estão finalmente saindo do armário. 

O Brasil tem conseguido, cada vez mais, romper o chamado ciclo de invisibilidade. Nele, a pessoa com deficiência não saia do quartinho dos fundos; sem sair, não era vista pela comunidade e era esquecida; com isso, a acessibilidade, em todos os níveis, fator determinante para a inclusão não era considerada um problema, e a discriminação e a exclusão prosseguiam; o que levava de volta à invisibilidade.

Além das políticas públicas e ações afirmativas, o rompimento desse ciclo se deve, em grande parte, a um esforço da mídia na inclusão de pessoas com deficiência. Matérias abordando barreiras físicas, dificuldade de acesso a serviços, desrespeito de direitos na inclusão escolar e discriminação contra pessoas com deficiência em geral vêm conseguindo mobilizar as autoridades para os problemas enfrentados pelas pessoas com deificiência e contribuído para que eles venham sendo resolvidos. Ao mesmo tempo, essas questões, quando expostas nos meios de comunicação de massa e compartilhados nas redes sociais, têm o poder de mobilizar ativistas que engrossam o coro na cobrança dos direitos.

 

Da mesma maneira, matérias que saem na imprensa e na mídia de forma geral, aproximam o público das pessoas com deficiência. As representações que circulam nos meios têm um enorme impacto sobre a opinião pública. Muitas pessoas que não têm contato direto com indivíduos com deficiência construíram em seu imaginário uma imagem negativa sobre o grupo, baseada em esteriótipos ultrapassados. Através de filmes, novelas, da imprensa e redes sociais, é possível compensar essa falta de convivência, diminuindo o estranhamento experimentado pelo público, que é fruto da desinformação. Isso ajuda a construir novas percepções sociais e formar uma nova cultura mais inclusiva. 

Para que essa exposição se dê de forma construtiva é necessário observar algumas questões.

Você já ouviu falar de capacitismo?

 

Capacitismo é considerar pessoas com deficiência como inferiores a pessoas sem deficiência. Textos sob essa influência, reduzem os personagens a objetos de piedade, fardos para suas famílias e para a sociedade, cidadãos de segunda classe, cuja vida não vale a pena. Como a cultura do machismo e do racismo, a cultura capacitista resulta em marginalização e discriminação. 

 

Então, como fazer para valorizar sua história, de modo que ela se destaque, se afaste do lugar comum e de quebra funcione, de fato, para promover a inclusão e a igualdade?

 

1- Comece colocando a pessoa em primeiro lugar. Pessoa com deficiência e não deficiente, especial, excepcional, portador de deficiência ou com necessidades especiais.

 

2- Não use deficiências como adjetivos ou xingamentos - fulano é cego, a ministra parece autista, você só pode estar surdo, deixe de ser retardado.

 

3- Cuidado com a trilha sonora. Musiquinha triste de pianinho ao fundo pode acabar com uma boa história. Prefira um som dinâmico, pra cima, ou, na dúvida, nenhuma sonorização.

 

4- Evite sensacionalizar e usar rótulos negativos. Descrever pessoas com palavras como “padece de, é vítima de, sofre de”, contribui para diminuí-las é retratá-las como indefesas, mostrando-as como objetos de piedade e caridade.

5- Sempre ouça a própria pessoa com deficiência, não seu acompanhante. De preferência, converse com ela antes de gravar a entrevista. Pergunte a melhor forma de proceder.

6- Não se usa mais a palavra 'portador' ao se referir a pessoas com deficiência, em nenhum caso. Retire-a definitivamente do seu vocabulário.

 

Quer mais dicas e conhecer o glossário de termos relativos à deficiência? Acesse o Manual para a Imprensa da GADIM Brasil.

 

Minimanual do Jornalismo Humanizado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Adriana Dias Higa, do Instituto Baresi, foi convidada pelo Think Olga para elaborar um dicionário humanizado sobre a forma adequada para falar sobre para pessoas com deficiência, não apenas para profissionais de mídia, mas também para o público em geral. Compartilhe!

http://thinkolga.com/minimanu…/pt-2-pessoas-com-deficiencia/

Adriana Dias Higa é antropóloga, coordenadora do Comitê “Deficiência e Acessibilidade” da Associação Brasileira de Antropologia, e coordenadora de pesquisa tanto no Instituto Baresi (que cria políticas públicas para pessoas com doenças raras) quanto na ONG ESSAS MULHERES (voltada à luta pelos direitos sexuais e reprodutivos e ao combate da violência que afeta mulheres com deficiência).

sobre fundo verde agua, com letras brancas, minimanual do jornalismo himanizado, e o logo do think olga em cima.
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Gadim Brasil - Aliança Global para Inclusão das Pessoas com Deficiência na Mídia e Entretenimento